O Jaime Gonçalves é um dos nossos alunos mais especiais. Ao longo de muitos anos marcou presença nas aulas da Oridanza com uma energia contagiante, sempre bem-disposto e querido por todos. Nesta entrevista conduzida pela jornalista Isabel Silva, à beira do mar em Setúbal, o Jaime — com os seus 91 anos — partilha a sua visão sobre a vida, o amor, a longevidade e o papel que a dança tem tido no seu percurso.
"Aquilo que me voltou a dar vida foi o arrepio que a dança trouxe outra vez — quando se encontraram dois bailarinos em sintonia, é muito bonito."
Aos 91 anos, o Jaime não fala da dança como passatempo — fala dela como medicina. O toque, o ritmo, a sintonia com um par. Quando a jornalista Isabel Silva lhe pergunta o que foi que a dança lhe trouxe de volta, a resposta é imediata: "o arrepio." Essa sensação física de estar vivo, de sentir, de se conectar com outra pessoa através do movimento.
Depois de perder a mulher e de enfrentar momentos difíceis, foi a dança — e o convívio que ela proporciona — que o ajudou a encontrar novamente o gosto pela vida. Começou a sair, a participar, a sorrir. "Comecei a perceber que ainda tinha filhos, tenho netos, que tenho que aproveitar o resto da vida que Deus me deu", conta.
A sua filosofia de vida é simples e poderosa: manter-se ativo, aproveitar o sol, o vento e a chuva, comer com moderação, dormir bem. E dançar. "Ser velho não é sentar num jardim para passar o dia a jogar às cartas — tem que se aproveitar o que a natureza nos dá."
"O amor alimenta uma vida longa. Quando amamos, vivemos com mais sabedoria, com mais vontade, durante mais tempo."
O Jaime é a prova viva de que a dança não tem idade — e de que o movimento, a alegria e a ligação com os outros são ingredientes essenciais para uma vida com qualidade. É isso que procuramos criar em cada aula do projeto Dança 55+.